segunda-feira, 9 de maio de 2016

CAPÍTULO 4 - ESTEVAN

-Suas fotos realmente ficaram muito boas Estevan! -Escarlett, a diretora da revista em que eu trabalhava como paparazzi me elogiou. - É como se a Sophia estivesse olhando diretamente para você! - E estava. Quando a princesa saiu do ateliê com sua avó e todos aqueles paparazzis se aglomeraram ao redor das duas, ele duvidava de que conseguiria fazer uma boa foto, mas por alguma razão, ela pareceu olhar diretamente em sua direção, talvez não para ele, talvez apenas estivesse observando algo incomum. Coincidência ou não, resolveu fazer o maior número de cliques que conseguisse, mas durante um instante, acabou se distraindo com sua beleza. Ele já a havia visto em jornais e revistas, mas nunca pessoalmente. Seus cabelos loiros como o sol e sua pele branca como a neve, lhe rendiam bem o título de princesa, ela era maravilhosa.
Sem razão alguma, Estevan se pegou imaginando em como ela deveria ser longe dos holofotes. Uma mulher como ela deveria receber tudo de mão beijada e sem dificuldade alguma, talvez desconhecesse qualquer sofrimento que existia no mundo, coisas que ao contrário, ele havia conhecido muito bem.
-Obrigado, eu tive sorte. -Disse a Escarlett.
-Dúvida que algum outro paparazzi tenha conseguido fotos tão boas! Nossa edição vai bombar! -Ela dizia animada.
-Fico feliz em ajudar. 
-Bem, acho que acabamos, você pode ir até a sala da Layla, ela vai lhe entregar seu pagamento.
-Está bem, obrigado. -Ao sair da sala de Escarlett me deparei com Layla, que me recebeu com um abraço:
-Estevan! A quanto tempo não te vejo! Como vai? 
-Vou muito bem e você?
-Há, você sabe como eu me sinto... -Após entrar na faculdade, eu acabei conhecendo a Layla, ela fazia jornalismo e com o tempo, eu comecei a reparar muito mais nela. Seus longos cabelos castanhos e suas belas curvas foram o fim. Começamos a ficar durante um bom tempo. Naquela  época eu ainda estava me estabilizando e me acostumando a minha nova vida, estava completamente despreparado para um relacionamento sério, mesmo hoje, acho que ainda não estou pronto. No começo isso deu muito certo, mas seu maior erro foi ter se apaixonado por mim. Achei melhor terminar tudo o que tínhamos, ou ela seria a pessoa que mais se machucaria em toda essa história. Foi difícil, mas conseguimos manter uma amizade, e nos últimos tempos, ela era a pessoa que mais me ajudava.
-Layla... -Tentei encontrar palavras que pudessem consolá-la.
-Tudo bem Estevan, não precisa dizer nada, já fazem três anos. -Ela disse sem jeito. 
-Vamos admitir, você está bem melhor sem mim. -Brinquei, tentando acabar com o clima carregado que havia se instalado entre  nós.
-Bem, em relação a isso você tem razão! -Ela sorriu- A propósito, fiquei sabendo que a Escarlett amou suas fotos.
-Como você...
-Querido Estevan, aqui é uma revista de fofocas, se esqueceu? -Ela me interrompeu- As notícias se espalham rápido. O que você achou dela?
-De quem?
-Não seja tolo, da Princesa Sophia, todos dizem que ela é muito simpática, eu nunca a vi, mas sou interessada por tudo que acontece na família real.
-Eu não sei bem o que dizer, ela tratou bem a imprensa...
-Mas? -Layla me indagou
-No fundo acho que ela é só mais uma daquelas dondocas sabe? 
-Mas respeito, é essa dondoca que vai assumir o trono real algum dia. -Acho que esqueci de mencionar, Layla era extremamente patriota.
-Layla, essas pessoas tem interesses próprios, não se preocupam com a minoria. Duvido muito de que ela tenha chances de ser uma boa governanta. -Layla apenas baixou a cabeça sorrindo. - O que eu disse que foi tão engraçado? -A encarei sem intender.
-Se não te conhecesse bem, diria que ficou interessado pela princesa.
-Eu? Você tem noção do quanto isso soou ridículo? 
-Você a achou bonita? -Layla perguntou com curiosidade.
-Sim, ela é bonita... -Disse passando a mão por meu cabelo. Aquele assunto estava me deixando irritado, e Layla sabia muito bem como irritar uma pessoa.
-Você ficaria com ela? -Ela perguntou sem interesse, mas sabia que estava a ponto de me enlouquecer.
-Não, quer dizer, eu não sei... Mesmo que eu quisesse, ela é uma princesa e eu...
-E você é um francês muito atraente com um belo par de olhos azuis. -Ela completou, me olhando atentamente- Vamos, eu já te irritei o suficiente, vou lhe entregar seu pegamento. -Ela disse caminhando em direção a sua sala.
-Obrigado, eu agradeço. -Disse despretensioso a acompanhando.
-Mas que você ficou mexido por ela ficou. -Ela me encarou com deboche.
-Por favor Layla, apenas ande.

sábado, 30 de abril de 2016

CAPÍTULO 3 - SOPHIA

Londres era uma cidade encantadora. Enquanto nós dirigimos até o ateliê, não pude deixar de reparar em cada detalhe que via em suas ruas. 
Em cada esquina havia uma loja diferente, grupos de amigos pareciam estar reunidos em bares e lanchonetes, as pessoas pareciam felizes. 
Apesar de eu ter nascido ali, eram raras as oportunidades que tinha de passear pela cidade. As vezes eu me pegava imaginando como seria se eu não tivesse nascido na realeza, em como seria andar pelas ruas sem ter que me preocupar ou com sempre alguém me vigiando. Em como seria ser normal: 
-Vamos querida? -Minha avó me chamou. Estava tão distraída com tudo que nem havia percebido que já havíamos chegado ao  ateliê.
-Claro vovó. -Descemos do carro.
Outra coisa que me incomodava bastante era o fato de ser o centro das atenções, não importando o lugar em que estava. A reação das pessoas que estavam no ateliê não foi diferente. Todas me olhavam impacientes e eu sentia como se minha presença cobrasse muito delas: 
-Vossa alteza, como vai? É um prazer recebê-la aqui! -A proprietária do ateliê me saldou. As saudações também me deixavam bastante incomodada. Não seria muito mais fácil para todos dizerem apenas meu nome?
-Obrigada, estou adorando seu ateliê. -Por alguma razão, sabia que ela estava ansiosa para ouvir alguma opinião positiva minha em relação ao seu estabelecimento, por algum motivo, isso importava muito para as pessoas. Depois de saldar minha avó, fomos levadas para uma sala exclusiva -Novidade?- onde trouxeram meu vestido para que pudessem acertar os últimos detalhes. Depois de vestí-lo, fiquei encantada por sua beleza. Ele era dourado, com vários detalhes trabalhados em renda. As costureiras fizeram os últimos ajustes para que ele ficasse ainda mais perfeito e depois fomos liberadas: 
-O que achou do vestido? -Minha avó perguntou, enquanto nos retirávamos do ateliê.
-É maravilhoso, eu adorei. -Fiquei totalmente sem palavras, quando olhei pela janela de vidro da loja e notei que vários fotógrafos já nos esperavam do lado de fora.
-Não consigo entender como eles sempre descobrem onde estamos. -Minha avó questionou- Preparada? Não podemos ficar aqui dentro para sempre. 
Quando saímos, foi aquela chuva de flashes, as pessoas falavam ao mesmo tempo, pedindo enlouquecidamente para que olhassemos para cada uma delas. Como havia sido treinada para agir em situações assim, sorri e acenei para todas as direções possíveis. Mas por alguma razão, meu olhar se prendeu ao único rapaz que estava em meio aquela multidão. Talvez fosse o fato de ele estar muito bem vestido, ou de o sol dar aos seus cabelos castanhos um tom de cobre que poderia ser visto de longe. Ele também segurava uma câmera e a abaixou durante um momento para poder me olhar também, ele era um rapaz realmente muito lindo. Depois do que pareceu ser uma eternidade ele continuou com os cliques:
-Obrigada a todos, mas agora nós temos que ir. Vamos Sophia? -Minha avó me chamou, mas eu mal co segui ouví-la, ainda me mantinha paralisada, olhando na mesma direção- Sophia, está tudo bem? -Ela segurou meu braço e eu saí de meu transe.
-Claro, está sim. -Olhei uma última vez na direção do rapaz é nós encaminhamos em direção ao carro, enquanto os fotógrafos vinham atrás de nós. 
-Já estou velha demais para toda esta balhureira. -Minha avó se queixou, se recostando no banco do carro. 
-Calma vovó, em pouco tempo estaremos no palácio. -Tentei acalmá-la. Os fotógrafos agora se encontravam de todos os lados do carro.
-Vamos Hugo, estou ansiosa para chegar em casa. -Minha avó disse ao motorista.
-Sim Majestade. -Enquanto nos afastávamos daquele tumulto. Senti uma pontinha de angústia. Esperava poder ver aquele rapaz novamente.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

CAPÍTULO 2 - ESTEVAN

Estava dando a última volta no quarteirão para finalmente poder voltar para casa. Fazia frio em Londres naquela manhã, mas o suor corria incansavelmente por meu rosto. Para animar minha corrida, ouvia uma playlist com músicas do Ed Sheeran no meu ipad. Era uma das poucas formas que eu consegui encontrar para aliviar a tensão que sentia todos os dias. 
Depois de acabar a corrida, voltei para meu apartamento, enxuguei meu rosto em uma toalha e tomei um copo bem gelado de água, enquanto olhava satisfeito para meu apartamento. Não era muito, mas eu mesmo admitia que a alguns anos atrás eu nunca imaginaria ter algo assim. 
Apesar de hoje Londres ser o meu lar, não foi fácil para mim ter que deixar Paris, minha cidade natal. Meus pais eram divorciados, e aos oito anos de idade, eu perdi minha mãe para um tipo raro de pneumonia. Eu nunca me dei muito bem com meu pai, mas depois disso, a justiça passou a minha guarda para ele. Meu pai era um alcoólatra compulsivo, e na maior parte do tempo, eu me encontrava sozinho em casa, eu achava melhor assim, porque quando ele chegava em casa ao anoitecer, ele sempre me batia ou me agredia. 
Quando eu completei doze anos as coisas pioraram. Ele começou a se envolver com o tráfico de drogas nos subúrbios de Paris e me obrigou a participar com ele. Eu disse que não queria, mas ele me bateu e me forçou a participar com ele. 
Em um desses dias, que sai de casa para visitar um de seus receptores, eu fugi. Coloquei as poucas coisas que me pertenciam em uma mochila e fui para o mais longe que pude da minha casa. Se é que alguém podia chamar aquilo de lar.
Vivi durante um bom tempo pelas ruas de Paris, era visto pelas pessoas como um nada, passei fome e necessidades, mas de alguma forma, era muito melhor estar ali, do que em casa. 
Infelizmente, depois de mais ou menos dois meses meu pai me encontrou. Não tinha como fugir. A dor que senti naquele dia foi maior do que tudo, tão grande e insuportável que me fez querer desejar a morte. Lembrar aquele dia me fazia ter calafrios. Haviam marcas no meu corpo e no meu coração que jamais poderiam ser apagadas. 
Depois de deixar o copo sobre a pia, consegui ouvir claramente as palavras que meu pai me disse naquela noite. Enquanto eu estava caído no chão, abraçado ao meu corpo, buscando uma maneira de amenizar o mínimo possível a dor que sentia, meu pai me olhava friamente enquanto dizia: "Essa surra foi pra te mostrar quem é que manda aqui! É bom não tentar fugir de mim de novo, ou será mil vezes pior para você. Eu mando, você obedece, é bem simples." 
E eu obedeci, o que mais eu poderia fazer? Nós anos que se seguiram eu continuei a ajudar o meu pai com o seu serviço sujo, e de cada pagamento que recebia eu tirava um pouco, o mínimo possível para que ele não percebesse o que eu estava prestes a fazer.
Quando eu finalmente completei dezoito anos de idade, eu tinha dinheiro suficiente para comprar uma passagem para bem longe dali e foi isso o que eu fiz. Lembro que naquele dia, eu tentei ser o mais natural que pude, o mais discreto possível, lembro que por algum motivo ele ainda chegou a me agredir e depois me mandou para a rua, para que pudesse receber mais contas pendentes para ele. Foi o fim. Lembro que eu estava paranoico, enquanto ia para a rodoviária, ficava olhando em todas as direções para ver se ele não estava vindo atrás de mim, ou se me apanharia bem na hora H. Felizmente não demorou muito para que eu embarcasse e fosse em direção a uma cidade ao Sul do país, a pouco mais de quatrocentos quilômetros de Paris. Lembro também que mais de duas horas depois, minhas mãos ainda tremiam e eu soava se parar. 
Depois de chegar nesta cidade, eu sabia que era só questão de tempo até que meu pai viesse atrás de mim, logo no mesmo dia, procurei por algum emprego e como por sorte, consegui arrumar um como garçom em um restaurante de quinta. A gorjeta que ganhava não era muita, mas o suficiente para que em pouco tempo eu pudesse me ver bem longe dali.
Quase dois meses depois eu consegui juntar dinheiro suficiente para comprar uma passagem de avião para Londres. Não ouve um motivo específico para que eu escolhesse fugir para a Inglaterra, mas a princípio ela me pareceu ser longe o suficiente e talvez meu pai nunca me encontrasse ali. 
Foi um alívio quando o avião finalmente pousou e eu pisei em solo inglês. Tudo o que havia vívido até então não parecia ser nada perto do que era agora. Eu estava livre, havia conseguido minha alforria. Mas nem por isso, tudo veio de mão beijada para mim. 
Além de não saber falar nada de inglês, ninguém parecia querer dar um emprego para uma pessoa que parecia se vestir como um mendigo. E durante minhas primeiras semanas ali, foi isso o que eu fui, um mendigo. Sem dinheiro pra qualquer coisa eu passei a viver pelas ruas de Londres, o que claro, já não era uma novidade para mim. 
Um dia crucial para a minha vida, foi quando um homem bem vestido se aproximou com uma câmera para perto da ponte em que eu e outros mendigos nos abrigávamos. Eu estava sentado ao longe, observando-o  gesticular com os outros homens, eu não conseguia entender uma só palavra do que eles diziam. Depois de muito  diálogo, ele começou a fotografar um por um, até chegar em mim. Ri daquilo, minha decadência seria registrada em uma fotografia miserável. Depois de achar que a vida não poderia ser mais dura comigo lembro de pronunciar em alto e bom francês: "Só pode ser brincadeira." O fotógrafo parou o que estava fazendo e me encarou: "Você também é francês?" ele perguntou. Eu fiquei tão feliz por finalmente encontrar alguém que me compreendia, um novo caminho parecia estar se abrindo para mim. Depois de conversamos por alguns minutos, ele me disse que seu nome era Pierre e que também era de Paris, perguntou os motivos que me havia levado até ali e eu lhe contei minha  história. Ele pareceu se surpreender com o que havia acontecido comigo. Logo em seguida, ele me convidou para comer um sanduíche em bar próximo dali. Minha fome era tão grande que quando eu me deparei com aquele belíssimo sanduíche, todas as etiquetas que havia aprendido ao longo da vida foram deixadas de lado, eu percebia as pessoas me observarem, hora com repulsão, hora com pena, mas a minha fome ainda era maior do que tudo:
-Quantos anos você tem? -Pierre me olhava atentamente.
-Dezoito. -Respondi.
-Olhe, eu trabalho como fotógrafo e estou precisando de um assistente para me ajudar com os equipamentos, você estaria interessado no emprego? 
-Mas é claro! -Minha felicidade não podia ser maior- Quando eu começo? 
-Que tal hoje mesmo? 
Ele me levou para sua casa, onde eu pude tomar um belo banho e vestir roupas limpas. Pierre era um homem gentil e ele deveria ter aproximadamente a mesma idade que meu pai, e talvez a única semelhança que existe entre eles fosse apenas essa. Eles eram homens completamente diferentes. Ele me ensinou a falar inglês e a amar a fotografia. Ele me fez perceber o quanto é mágico capturar um sentimento pela lente da  câmera e com o tempo, eu só fui me apaixonando mais e mais por esta arte. Com sua ajuda e com muito estudo, eu consegui uma bolsa para fotografia em uma das melhores faculdades de Londres. Pierre estava sendo para mim o pai que nunca havia tido, ele era o meu único amigo. Infelizmente a vida encontrou mais uma vez um meio de me dar uma rasteira e o tirou de mim. 
Hoje, quando olho para o meu apartamento, não vejo apenas uma vitória minha, mas minha e do Pierre, tudo o que tenho é sou hoje devo exclusivamente a ele.
Como disse, não era muito, o apartamento contava com um quarto, uma sala que eu havia transformado em estúdio, uma cozinha, área de serviço e um banheiro. Como já estava no meu último ano da faculdade, vez ou outra alguns serviços como fotógrafo profissional apareciam para mim, mas na maioria das vezes, eu trabalhava como paparazzi de revistas de fofocas. Não era o que eu imaginava para minha carreira, mas eram serviços assim que garantiam o meu sustento. 
Enquanto tomava uma ducha, ouvi meu celular tocar. Me enrolei em uma toalha e o apanhei de cima da cama: 

-Encontrou algo pra mim? -Era Layla. Uma amiga, que trabalhava em uma revista de fofocas muito famosa entre os Londrinos e que sempre me ligava quando precisava dos meus serviços.
-O que você acha? -Ela sorriu do outro lado da linha.
-O que é desta vez? Um cantor, uma atriz...
-Não. Desta vez preciso que você faça algumas fotos da Princesa Sophia. Acha que consegue? 
-Por que você ainda pergunta? Me mande o endereço, já estou indo para lá. - Durante meu serviço como paparazzi eu já havia fotografado de tudo, mas a princesa era novidade.

domingo, 24 de abril de 2016

CAPÍTULO 1 - SOPHIA

Acordei com os primeiros raios de sol, que invadiam a janela, batendo em meu rosto. Pisquei os olhos algumas vezes, tentando me acostumar com a claridade do quarto. Depois de muita relutância me levantei, estendendo meus braços para me espreguiçar um pouco. 
Caminhei até a janela e olhei para o céu, que era de um azul vívido, sem uma nuvem sequer para lhe roubar a cena. Sorri, o dia parecia me contemplar com sua beleza. Talvez por hoje eu estar completando vinte anos de idade, ou talvez porque soubesse que era um dia muito especial não só para mim, mas para muitas pessoas.
Depois de me vestir, sai de meu quarto, descendo as escadas e passando pelo grande salão de festas, onde algumas pessoas já preparam a ornamentação para o baile que ocorreria mais a noite: 
-Bom dia princesa! Feliz aniversário! -Me cumprimentaram. Agradeci com um sorriso e continuei a caminhar até a sala de jantar, onde meu pai e minha avó já me aguardavam para o café da manhã: 
-Bom dia querida! Feliz aniversário! -Meu pai, o grande Rei Nicollas, caminhou até mim, me dando um beijo na testa
-Obrigada papai. 
-Parabéns Sophia! Estou tão orgulhosa de você! -Minha avó, Ester, ex rainha do trono da Inglaterra, veio até mim, me abraçando com força.
-Obrigada! Estou muito feliz hoje! 
-E tem de estar! Hoje é seu dia, além disso é um dia muito especial para todos os nossos súditos também. Hoje você está deixando de ser uma menina, para se tornar uma bela mulher -Minha avó completou.
-Eu sei vovó. -Respondi, enquanto nós sentavamos todos a mesa novamente.
-Ansiosa para o baile? -Meu pai perguntou, enquanto se servia com um pouco de café.
-Sim, estou trabalhando em uma performance de Beethoven que apresentarei no Piano para os convidados.
-Isso é ótimo querida! Da forma que você toca, tenho certeza de que encantará a todos! 
-Obrigada.
-Sophia, depois de suas aulas, eu estava pensando se poderíamos ir ao ateliê buscar seu vestido.
-Claro vovó, estou ansiosa para experimentá-lo.
-Então estamos combinadas! -Ela piscou para mim e depois disso, nos mantivemos em silêncio. Eu não sabia se era a hora certa, mas não poderia mais esperar para falar deste assunto com o meu pai, então, tomei coragem e fui adiante:
-Pai, quando o senhor tiver um tempo, gostaria de falar sobre um assunto com o senhor.
-Tenho tempo agora. Do que se trata? -Ele me olhou com atenção, talvez até com um pouco de curiosidade.
-A algum tempo, quando conversamos, o senhor disse que quando tivesse mais idade, o senhor me deixaria frequentar a faculdade, como qualquer pessoa normal e bem, eu já tenho idade agora. -O assunto pareceu pegá-lo de surpresa e logo seu semblante se fechou.
-Querida, você tem os melhores professores de Londres no conforto de sua casa, porque você iria querer frequentar a faculdade? 
-Eu sei disso, mas...
-Sophia, eu entendo que você tenha muitas curiosidades, mas você é uma princesa e quando eu não puder mais, você ficará no meu lugar e assumirá o trono... -Ele respirou fundo- Eu sinto muito, mas eu não acho que seja uma boa ideia.
-Tudo bem. -Disse, não adiantaria em nada discutir. 
-Mas prometo encontrar os melhores professores que puder para que você possa cursar o ensino superior aqui no palácio mesmo, tudo bem?
-Claro. -Respondi, sentindo um nó na garganta- Será que posso me retirar agora? Gostaria de me preparar para o início das minhas aulas.
-Claro querida, pode sim. -Minha avó concedeu, percebendo o clima ruim que havia se instaurado ali. 
Enquanto atravessava o salão e subia as escadas as pressas, senti as lágrimas saltitarem dos meus olhos. Quando cheguei ao meu quarto eu desmoronei, cai em um pranto de lágrimas. 
Muitas pessoas acham que nascer na realeza é quase o mesmo que ganhar na loteria, mas a realidade não é bem assim. Você é privado de muitas coisas, você tem que abrir mão de quase tudo, para que só assim consiga agradar a todos. 
Desde criança, eu venho sendo preparada para assumir o posto de Rainha da Inglaterra e isso gera uma grande expectativa em cima de mim, todos esperam que eu seja sábia, que eu esteja verdadeiramente preparada e pronta para assumir um posto tão importante. Mas não se preocupam com o que eu realmente sinto em relação a tudo isso. 
Não que eu queira fugir a minha responsabilidade, tudo o que eu mais quero é poder ajudar meu povo. O que quero dizer, é que desde o meu nascimento, eu venho sendo preparada exclusivamente para isso. Eu quase nunca tenho contato com o mundo externo. Minha vida está dentro do  palácio. Diferente das pessoas da minha idade que vão a festas ou ao shopping com os amigos, eu fico no palácio, me preparando, tendo aulas que variam desde etiquetas, música até um novo idioma.
Lembro que quando criança, eu vivi cercada apenas por adultos, minha mãe, a Rainha Natalie, faleceu em meu parto, então minha melhor companhia era a minha avó, que ainda era a Rainha naquela  época. Os raros contatos que tive com outras crianças sempre eram em lugares mais calmos, onde os guardas reais pudessem ficar de olho em mim. Mas uma vez não estou me queixando, mas sinto como se o tempo estivesse passando para mim e quando a hora de assumir o trono chegasse, eu sabia que não teria vívido nenhuma experiência diferente da que estava vivendo até agora.
Por volta das oito horas da manhã, meu professor de literatura chegou. Eu simplesmente amava literatura. Amava livros e amava ainda mais lê-los. Na maioria das vezes, os poucos horários vagos que tinha eram preenchidos com a leitura de um bom livro. 
Por volta das dez da manhã, chegou minha professora de música, outra grande paixão que eu tinha. Desde os cinco anos de idade eu faço aulas de piano, e hoje, depois de anos de dedicação e estudos, acho que já posso me considerar uma pianista profissional. Eu estava ensaiando a canção "Para Elisa" de Beethoven, uma das primeiras que havia aprendido. Queria fazer a melhor apresentação da minha vida para estas pessoas que viriam até o palácio está noite para prestigiar meu aniversário. Não poderia decepcioná-las: 
-Você toca tão lindamente Sophia! -Minha professora me elogiou- Acho que não exista mais nada que eu possa ensinar a você. 
-Obrigada, mas sempre vai haver mais a aprender e se hoje sei tudo isso, devo a você. -Ainda conversávamos, quando a porta do meu quarto se abriu:
-Com licença vossa alteza, mas a Rainha Ester a espera para que possam ir até o ateliê. -Disse uma das serviçais do palácio.
-Claro, diga a ela que já vou descer.

PRÓLOGO

Estevan me encarava assustado, enquanto lágrimas insistiam em rolar incansavelmente por meu rosto:
-Como eu pude ser tão tola ao ponto de acreditar que você realmente me amava? -A decepção que sentia naquele momento, era maior do que qualquer outra dor.
-Eu te amo Sophia... -Ele começou a falar, mas eu o interrompi.
-Você me usou! Como ainda tem coragem de dizer que me ama? -Meu coração havia se partido em mil- Meu pai estava certo, eu deveria ter me afastado de você enquanto ainda podia. -Disse pegando minha bolsa do sofá e caminhando em direção a porta.
-Não vá, eu posso me explicar! -Ele me segurou pelo braço, me impedindo de prosseguir.
-Você foi a pessoa que eu mais amei Estevan, mas agora também é a que eu mais odeio. -Seus olhos azuis me encaravam arrependidos.
-Eu sei que eu errei, mas você tem que me ouvir, pelo nosso amor! -Em um movimento rápido, consegui fazer com que ele soltasse meu braço.
-Que amor? Acabou, ouviu? Me deixe em paz! -O encarei uma última vez e sai dali aos prantos. Saindo de seu apartamento, entrei rapidamente no carro, onde o motorista me aguardava:
-Está tudo bem Vossa Alteza? -Ele perguntou.
-Por favor Hugo, só me leve para bem longe daqui. -Ele deu partida no carro e enquanto nos afastávamos dali, percebi que o que existia entre mim e Estevan não era tão forte assim, nunca seria mais forte do que o fato de ele ter mentido para mim. A verdade é que as vezes, o amor não é mais forte do que uma decepção.

SINOPSE

Sophia é filha do Rei da Inglaterra, Nicollas e da Rainha Natalie, que faleceu meses depois de dar a luz a filha. Desde criança, Sophia é criada rigidamente para assumir o trono de seu pai e se tornar a nova Rainha da Inglaterra. Ao completar 20 anos, ela implora ao pai que lhe deixe ir a faculdade, assim como todas as outras pessoas, o que acaba gerando uma grande especulação entre todos os súditos do país. Querendo se aproveitar desta situação, uma revista de fofocas local, contrata Estevan, um estudante de fotografia para conseguir declarações e flagras comprometedores da Princesa Sophia. Aos poucos ele começa a se aproximar dela e o que era pra ser apenas uma mentira, acaba se transformando em uma grande paixão. Com o tempo, Sophia acaba descobrindo o motivo que fez com que seu amado se aproximasse dela, será que o amor que existe entre ela e Estevan será mais forte do que tudo?