Londres era uma cidade encantadora. Enquanto nós dirigimos até o ateliê, não pude deixar de reparar em cada detalhe que via em suas ruas.
Em cada esquina havia uma loja diferente, grupos de amigos pareciam estar reunidos em bares e lanchonetes, as pessoas pareciam felizes.
Apesar de eu ter nascido ali, eram raras as oportunidades que tinha de passear pela cidade. As vezes eu me pegava imaginando como seria se eu não tivesse nascido na realeza, em como seria andar pelas ruas sem ter que me preocupar ou com sempre alguém me vigiando. Em como seria ser normal:
-Vamos querida? -Minha avó me chamou. Estava tão distraída com tudo que nem havia percebido que já havíamos chegado ao ateliê.
-Claro vovó. -Descemos do carro.
Outra coisa que me incomodava bastante era o fato de ser o centro das atenções, não importando o lugar em que estava. A reação das pessoas que estavam no ateliê não foi diferente. Todas me olhavam impacientes e eu sentia como se minha presença cobrasse muito delas:
-Vossa alteza, como vai? É um prazer recebê-la aqui! -A proprietária do ateliê me saldou. As saudações também me deixavam bastante incomodada. Não seria muito mais fácil para todos dizerem apenas meu nome?
-Obrigada, estou adorando seu ateliê. -Por alguma razão, sabia que ela estava ansiosa para ouvir alguma opinião positiva minha em relação ao seu estabelecimento, por algum motivo, isso importava muito para as pessoas. Depois de saldar minha avó, fomos levadas para uma sala exclusiva -Novidade?- onde trouxeram meu vestido para que pudessem acertar os últimos detalhes. Depois de vestí-lo, fiquei encantada por sua beleza. Ele era dourado, com vários detalhes trabalhados em renda. As costureiras fizeram os últimos ajustes para que ele ficasse ainda mais perfeito e depois fomos liberadas:
-O que achou do vestido? -Minha avó perguntou, enquanto nos retirávamos do ateliê.
-É maravilhoso, eu adorei. -Fiquei totalmente sem palavras, quando olhei pela janela de vidro da loja e notei que vários fotógrafos já nos esperavam do lado de fora.
-Não consigo entender como eles sempre descobrem onde estamos. -Minha avó questionou- Preparada? Não podemos ficar aqui dentro para sempre.
Quando saímos, foi aquela chuva de flashes, as pessoas falavam ao mesmo tempo, pedindo enlouquecidamente para que olhassemos para cada uma delas. Como havia sido treinada para agir em situações assim, sorri e acenei para todas as direções possíveis. Mas por alguma razão, meu olhar se prendeu ao único rapaz que estava em meio aquela multidão. Talvez fosse o fato de ele estar muito bem vestido, ou de o sol dar aos seus cabelos castanhos um tom de cobre que poderia ser visto de longe. Ele também segurava uma câmera e a abaixou durante um momento para poder me olhar também, ele era um rapaz realmente muito lindo. Depois do que pareceu ser uma eternidade ele continuou com os cliques:
-Obrigada a todos, mas agora nós temos que ir. Vamos Sophia? -Minha avó me chamou, mas eu mal co segui ouví-la, ainda me mantinha paralisada, olhando na mesma direção- Sophia, está tudo bem? -Ela segurou meu braço e eu saí de meu transe.
-Claro, está sim. -Olhei uma última vez na direção do rapaz é nós encaminhamos em direção ao carro, enquanto os fotógrafos vinham atrás de nós.
-Já estou velha demais para toda esta balhureira. -Minha avó se queixou, se recostando no banco do carro.
-Calma vovó, em pouco tempo estaremos no palácio. -Tentei acalmá-la. Os fotógrafos agora se encontravam de todos os lados do carro.
-Vamos Hugo, estou ansiosa para chegar em casa. -Minha avó disse ao motorista.
-Sim Majestade. -Enquanto nos afastávamos daquele tumulto. Senti uma pontinha de angústia. Esperava poder ver aquele rapaz novamente.
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